quarta-feira, 21 de abril de 2010

dona de jardim

intensa receita pra ser dona do jardim:
pra começar, arranje uma viajem na viaçãouniversoparalelo pra woodstock, dê doses de rum quente com noites vertiginosas, acrescente respiração sutil, cor, cheiro agradável, sorrisos gostosos, separe couro, sementes e saias rodadas, coloque janis na vitrola, bagunce o cabelo, tire os sapatos e trate de deitar um oito no amor. mas não se esqueça, se aquecer ou esfriar demais, não tem o menor problema, uma vez ocupando tal posto o sempre passa a ser real.

maria sem vergonha é só uma, ou duas em uma:
"amor assim não finda
e sem par tu não fica iaiá"

segunda-feira, 15 de março de 2010

foi carpinejar

que disse:

"Na infância, a mãe arrumava o quarto de minha dor e depois não encontrava nenhuma das tristezas prediletas."

não era só a mãe dele.
talvez um dia a menos
e sejamos tão cheios disso e os

olhos inebriados de estar
marejados em


sais dentro de vazios
em caixas cheias de

azul houve sim e não ouço
está quisto em
mais um holofote preso no


portão.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

por pés

sempre que podia inexplicávelmente fixava seu encanto pelas partes de baixo; se houvesse um coreto, ela metia os olhos onde os jardineiros guardam suas pás e ferramentas, na casa, sempre visitava o porão e assim por diante e abaixo... devo salientar algo que poucos souberam: ela, quando criava vínculos demais com as pessoas, olhava secretamente a sola dos pés de cada um, e assim classificava sem medo o que cada um lhe gerava, assim as pessoas eram. classificação marcante seria:

seu pai tinha ácido úrico em excesso, os pés eram cascudos e soltavam peles. pés de cobra:

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

não dá pra impedir que se atraiam; o que dá pra impedir,é que se retraiam.
- de dias cansados

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

alí ce má ría!



não tive nada pronto, nem pensei em nada pra fazer em três minutos. a idéia principal era ou é Alice Maria e em respeito a Raul - mesmo que não falemos da mesma - peço a licença e a palavra:

                                     "Adeus ao amor
                                         Que ali se partia"
                                     -Raul Seixas     

                       E assim como Alice, e assim como Maria. Ela não gostava de ser só uma, queria mesmo que seu retrato fosse um fiel mutável a cada segundo, tanto queria que inventava tanta coisa sobre si mesma e acreditava com tanto zelo que talvez não seja mais do que ficção, tem muito tanto nisso tudo, mas Alice sempre gostou de muito e nunca se valeu do destempero. - palavra que ela odiava como as pessoas usavam "destempero das idéias", oras, porque destemperadas? as mais instigantes, insanas e pertubadas eram as recheadas de tempero!  - Ela gostava de cozinhar, mas tudo que punha a mão era retrato do que queria pra vida, ou era salgado demais, ou doce demais, amargo demais, era demais; Tanto que Maria já havia se cansado daquilo tudo, e queria mesmo por pra fora sua sonolência de toda hora, Maria criou como um animal doméstico a tal impostura em relação ao sentimentos, e não se importava com todas as grades que tinha que arrancar pra isso - e sempre imaginava que em situações como as de cria, ela pensaria com o coração enquanto Alice correria de um lado pro outro procurando gritar o mais alto possível - aquilo era um desgaste muito grande, mas o que na vida de Alice Maria não era desgastante? Por vezes achava que a experiencia cotidiana implica numa boa soma de equívocos enquanto tudo pesava aos ombros, coisa que soa pessimista... mas havia um desejo desmedido de viver o mais nua possível, uma nudez perplexa de arevimento nas entrelinhas, e enquanto uma era vermelha, outra era azul, e sem final isso se seguia, aliás, em algum momento qualquer um saberá que no fundo a cor que predominava era o violeta. Alice Maria foi se alimentar e um dia volta a ficar nua.

domingo, 4 de outubro de 2009

chuva

impossível é:                                       
                          "uma nuvem cheia não chover"
Adriana Calcanhoto


o tempo passa arrastado, pulando casas e voltando a cada segundo. pregando peças e pássaros, cada pingo de azul do céu se mancha de branco pra esperar o balancê do coração mais uma vez. arrepio, é assim que chove, o céu se arrepia e os poros se contraem; em tempestade: chuva em mim a cada pensamento.

- sem letras maiúsculas, já que a promessa de um amor em maiúsculo já basta.
para sempre seu
para sempre meu
para sempre nosso.