segunda-feira, 14 de junho de 2010

... café, aperto de mão
chapéu, olhar de soslaio
reza, bandeira, bastão
feira, bengala, balaio
este povo assim
calado, manso
é como dinamite, um dia explode.

Ronald Clavor
sábado lhe perguntaram,
sábado ela pensou uma vez,
e com uma vez foi suficiente.

fervereiro

já é fevereiro e eu aqui. [ do tempo que foi fervereiro no rio.]

por Maria Alice

 Pensava convicta tanta coisa sobre si mesma que talvez não fosse mais que ficção o que ela representava, nem Maria nem Alice, gostava de escrever o próprio nome como se fosse um "Alicemaria" achava que passava a idéia de ser o alicerce de alguém.

domingo, 16 de maio de 2010

samba do desamor

até a sola acabar
até o azulejo ruir
trago verbos e 

verbetes e confusão
a transferência clara
da distancia ativa,
e o suíngue que 
não balança mais as cadeiras

roda a saia, encosta o calcanhar no chão
vai dar meia noite quando vira
vai dar meio amor

sobe 13 metros
ouve o som da mandinga
o coração soa pandeiro
o zunido do partido alto

e ainda sim,
sigo eu dançando o samba do desamor

quarta-feira, 21 de abril de 2010

dona de jardim

intensa receita pra ser dona do jardim:
pra começar, arranje uma viajem na viaçãouniversoparalelo pra woodstock, dê doses de rum quente com noites vertiginosas, acrescente respiração sutil, cor, cheiro agradável, sorrisos gostosos, separe couro, sementes e saias rodadas, coloque janis na vitrola, bagunce o cabelo, tire os sapatos e trate de deitar um oito no amor. mas não se esqueça, se aquecer ou esfriar demais, não tem o menor problema, uma vez ocupando tal posto o sempre passa a ser real.

maria sem vergonha é só uma, ou duas em uma:
"amor assim não finda
e sem par tu não fica iaiá"

segunda-feira, 15 de março de 2010

foi carpinejar

que disse:

"Na infância, a mãe arrumava o quarto de minha dor e depois não encontrava nenhuma das tristezas prediletas."

não era só a mãe dele.
talvez um dia a menos
e sejamos tão cheios disso e os

olhos inebriados de estar
marejados em


sais dentro de vazios
em caixas cheias de

azul houve sim e não ouço
está quisto em
mais um holofote preso no


portão.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

por pés

sempre que podia inexplicávelmente fixava seu encanto pelas partes de baixo; se houvesse um coreto, ela metia os olhos onde os jardineiros guardam suas pás e ferramentas, na casa, sempre visitava o porão e assim por diante e abaixo... devo salientar algo que poucos souberam: ela, quando criava vínculos demais com as pessoas, olhava secretamente a sola dos pés de cada um, e assim classificava sem medo o que cada um lhe gerava, assim as pessoas eram. classificação marcante seria:

seu pai tinha ácido úrico em excesso, os pés eram cascudos e soltavam peles. pés de cobra: